Há uma tensão entre este humano que vos fala e “Redes”. Inerente, imanente, criada, indefinida, não-manifesta, real, simbólica e imaginária.
Fugi de redes desde o primeiro anteprojeto do doutorado. Simplesmente porque não me vi conseguindo escrever para Jackeline sobre redes.
Nesta semana me dei uma espécie de tapa-na-cara após um comentário de Idellete Fonseca dos Santos sobre redes. E ainda que fugindo da pretensão de pensar que entendi o que ela quis falar, senti a necessidade de registrar por aqui.
Idellete disse mais ou menos que não consegue ver este contexto de redes no Brasil. E que na França tudo é rede, mas simplesmente porque lá as pessoas não se comunicam, não se interessam pelas outras, vivem isoladas em suas vidas e não olham para os lados. Então “rede”, pelo que eu percebi de sua fala, seria como as pessoas nomeiam suas ligações com as outras. Dando uma significação profissional ao relacionamentos, num sentido de gerenciar as possibilidades e forças de cada contato nas consecuções de suas próprias realizações.
Para nós aqui no Brasil, no olhar da pesquisadora, redes seriam simplesmente “amizades”. Ou melhor, para Idellete são apenas amizades. Ela deu como exemplo um encontro de pesquisadores brasileiros na França, onde as pessoas ao seu redor, em poucos minutos de início de conversa rapidamente estabeleceram uma série de conexões entre conhecidos comuns no Brasil. Algo do tipo: “ah.. você conhece fulano? Pois é, foi meu padrinho de casamento. Ih… a irmã dele é tua parceira de tênis?”
Mas, por que estou escrevendo isto?
São vários os motivos. Os que sei e os que não sei. Mas, um deles é porque já ví que não vou mais conseguir fugir da “rede”. E vou ter que romper este bloqueio. Foi de repente, de uns dias para cá, que percebi que tenho me mantido totaltmente afastado de “teorias”, sejam elas acadêmicas ou não, sobre redes. Não tenho lido nada que ninguém escreve sobre redes em canto nenhum. Nem as do efefe no desvio (hehe). Acho que a última coisa que li que mencionava redes foi o Castells, ano passado. (Vamos dizer que a última coisa acadêmica. Eu tinha lido, acho que na correria, o post do efefe).
Mas não dá mais, porque simplesmente todas as minhas atividades acadêmicas deste semestre vão puxar reflexão sobre redes. Por isso, como sei que vai ser teoria demais “distorcendo” meu olhar, meu ouvir, meu falar, senti necessidade de colocar uma inquietação meio ingênua ainda, meio crua, meio.
MetaReciclagem é Rede?
*** Update em 29 de agosto.
Este post havia parado no questionamento, mas aí retornei ao post do efeefe, ví que já tinha interagido por lá e me surpreendi. Me surpreendi com duas coisas. Lá já existe uma espécie de “resposta” para essa questão da compreensão “européia” de redes. E lá eu fiz duas afirmações, cuja a segunda eu preciso retificar. Não, Felipe. Não posso afirmar que a sua noção da existência das redes é a mesma da ANT, já corrigi por lá.

One Comment
ahn, ok.
tô aos poucos lendo melhor o organised networks que comentei no post. apesar da bitolação de expectativas (que, confesso, eu julguei mais pelas duas vezes que vi o rossiter falando e talvez pela introdução do livro do que propriamente de ler o livro), ele tem umas explorações bem interessantes, que tá sendo interessante no contexto das conversas sobre infralógica e mutirão da gambiarra. talvez eu comente mais pra frente.
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